Quase nenhum jornal trouxe o texto que a candidata Dilma Rousseff mudou em sua plataforma de governo entregue ao TSE. Bom, o texto que ela retirou era o que mostramos abaixo:
“Medidas que promovam a democratização da comunicação social no país, em particular aquelas voltadas para combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento. Para isso, deve-se levar em conta as resoluções aprovadas pela lª. Confecom, promovida por iniciativa do governo federal, e que prevêem, entre outras medidas, o estabelecimento de um novo parâmetro legal para as telecomunicações no país; a reativação do Conselho Nacional de Comunicação Social; o fim da propriedade cruzada; exigência de urna porcentagem de produção regional, de acordo com a Constituição Federal; proibição da sublocação de emissoras e horários; e direito de resposta coletivo”. (Transcrito por Reinaldo Azevedo).
O problema é que a pessoa da campanha de Dilma, ou seja, o companheiro, que escreveu o texto esqueceu que da forma como está seriam atingidos quase todos os grandes conglomerados de comunicação do País. Dilma, que tinha assinado sem ler uma linha, quando começaram a jorrar as críticas, teve que recuar e fazer uma versão mais “light”. Vale aqui o comentário do jornalista Reinaldo Azevedo: o “combate ao monopólio” e a “democratização da comunicação”, no PT, é só a veste angelical da velha tentação totalitária de sempre. E que Deus afaste de nós esse cálice.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
O Fim de um Modelo Que Já Rendeu o Possível

A seleção perdeu. Não é novidade, claro. A bola estava sendo cantada pelos 190 milhões de técnicos que desconfiavam da seleção de armandinhos de Dunga. Há um consolo. Não veremos aquelas cenas de desfiles em carro aberto (dos Bombeiros) com jogadores falantes e nem a famosa visita a Brasília para mais desfiles, com Lula e Dilma acenando para o povo ao lado dos jogadores. Um descanso para os olhos. Já bastaram as centenas de reportagens sobre os bairros africanos (principalmente o Soweto) e o ufanismo de Galvão Bueno. É o fim da era Dunga e mais uma virada na página da história. É para o bem do Brasil. A virada sempre enseja uma renovação do modelo que vigia, apesar de alguns resultados favoráveis. O modelo já rendeu o que podia. Por isso, é muito improvável um continuismo. Dificilmente, Jorginho, auxiliar técnido de Dunga, será escolhido para ser o comandante da seleção. Que o sentimento de renovação possa se espargir e que a ruptura seja a marca deste novo e rico momento. Recomeçar é o sentido maior da vida. Merecemos outra experiência, que mantenha tudo que foi positivo, mas que renove e tenha ousadia de colocar este país em um patamar de desenvolvimento interno mais elevado. Vamos Brasil, é hora de renovação!
quinta-feira, 1 de julho de 2010
A Hora dos Ajustes

Todas as chapas para concorrer a eleição estão formadas. Até José Serra já tem um vice. A verdade é que nunca se perdeu tanto por nada. E o candidato presidencial tucano perdeu mais que todos. Caminhou mal o percurso da escolha e pagou o preço. Composto o quadro, ou postas as peças no tabuleiro, agora começam os movimentos. Estamos no finalzinho da Copa e é este o tempo que todos têm para ajustar a estratégia. Serra trafegou mal até agora. Marina caminhou sem resultado e Dilma surfou nas ondas de Lula, mas precisa de conteúdo, ainda que tenha menos importância que a forma, que lhe dá a vantagem (não me refiro ao que dizem as pesquisas) que sustenta até agora. O gancho de comunicação em cada um vai se pendurar já está posto, embora ainda passe por ajustes. Dilma é Lula e o PAC. Serra é o realizador de obras em São Paulo, o melhor ministro da saúde, tentando provar que pode fazer mais e melhor. Marina fica quase sem nada, imprensada pelos dois discursos similares. Ainda não desincorporou da doméstica, costureira, e mais tarde como professora de história do início da vida profissional. Faz algumas propostas pontuais. Precisa encontrar uma cunha.

O QUADRO NO CEARÁ
É possível dizer que o Ceará tem três candidatos competitivos para disputar o trono ocupado por Cid F. Gomes, recandidato a mais 4 anos. Diferente da campanha nacional, aqui nada se camininhou até as convenções. O tempo foi preenchido com um jogo de sujiga, que sempre parte dos poderosos contra os mais fracos. Jereissati e os Gomes tentaram levar no empurra uma aliança tão ampla que não sobraria nada (só os ananos) para fazer oposição durante a campanha. Seria uma reedição imposta da famosa União pelo Ceará, colocando no mesmo saco UDN, PSD e PTN, numa espécie de pacto que elegeu Virgílio Távora-(UDN) a governador em 1962. A arrogância do Gomes governador acabou ofendendo o aliado mais poderoso, que rompeu o pacto e lançou Marcos Cals, um deputado que servira ao governo Gomes até a desincompatibilização (3 de abril). Foi a senha para Lúcio Alcântara, tirado do governo pelos Gomes, com apoio de Jereissati em 2006, buscar a revanche, colocando ao eleitor a sua candidatura. Só agora, com o fim das convenções, o jogo está fechado e se inicia a campanha para os desafiantes, porque o candidato situacionista está em campanha há tempos, driblan do com facilidades a Justiça eleitoral.
Renovação x Oligarquia
O pontapé eleitoral foi marcado pela chuva de farpas atiradas pelos três principais postulantes, uma forma de cada um marcar seu terreno. Jerissati fez o “mea-culpa” ao reconhecer que não estimulou renovação nos últimos 20 anos e que o Ceará já não suporta mais o revezamento Jereissati-Gomes. Cid F. Gomes reagiu, primeiro através do irmão Ivo F. Gomes, que disse que Cid F. Gomes não fazia parte da geração Tasso-Ciro F. Gomes (se é complicado escrever com tanto Gomes, imagine...). Depois, foi o próprio Gomes governador que disse que Jereissati era como uma mangueira, que dá bons frutos, mas não deixa nada nascer embaixo dela. É verdade. Nasceu pouco. Quase nada. Tasso e Ciro F. Gomes não deixaram quase sobras. O pouco que nasceu ainda veio com erro conatural. A mesma prepotência e arrogância e uma duvidosa ética de dominação (Weberiana só quanto aos objetivos, mas não quanto a ação). Lúcio procurou marcar seu nicho dizendo (mas parecendo) que sua candidatura não era uma revanche de ressentido, mas que era preciso marcar suas obras, hoje com outros nomes (rebatizadas) no atual governo, e oferecer ao eleitor uma oportunidade para redenção. O problema é que pode não haver tanto eleitor arrependido. De qualquer modo, o sarcasmo de cada um deixa antever a estratégia que a seguir.
OS CAMINHOS DAS 3 CHAPAS
Não vale aqui entrar no mérito se os caminhos que pretendem seguir as 3 chapas vão estimular as 4 forças genéricas (Serge Tchakhotine) que agem de forma mais ou menos constante na determinação do comportamento do eleitor/indivíduo: impulso da combatividade, impulso das exigências materiais nutritivas, impulso sexual e impulso parental ou impulso da amizade. Sem a âncora do Ronda, Cid F. Gomes, vai deixar aos irmãos Ivo F. Gomes (este mais) e Ciro F. Gomes e aliados o papel de atacantes, e centrar seu discurso nas obras (centenas de maquetas eletrônicas) vão ocupar o generoso espaço do programa de TV e preencher os espaços da Internet e centenas de folhas de papel. Bem no estilo, “ninguém fez tanto, mas é preciso mais tempo para concluir e fazer muito mais”. Jereissati, sempre pajeando seu candidato Marcos Cals, vai focar na crítica da renovação, no nepotismo dos Gomes e na falta de obras de infra-estruturantes, tentando alinhar com o discurso de Serra, seu candidato a presidente. Lúcio, que divide com Cid F. Gomes o apoio a Dilma Roussef, vai assumir o papel de única oposição e fazer o resgate de suas obras, hoje rebatizadas por Cid F.Gomes no exíguo espaço de TV. Roberto Pessoas será o aríete mais usado. Ele e Jereissati vão tentar provocar um possível segundo turno. Cid F. Gomes faz o melhor discurso possível. Lúcio e Marcos Cals precisam de ajustes em suas campanhas.
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