terça-feira, 25 de janeiro de 2011
DEPENDENTES E OBEDIENTES
Chegamos ao Fundo do Poço da Representação Política. Não sei por aí afora, mas aqui no Ceará, fazenda da família Ferreira Gomes, que por algum tempo dividiu o mando com Tasso Jereissati (até expurgá-lo), o Poder Legislativo não tem autonomia sequer para escolher quem quiser para dirigir a Casa. Dois deputados do partido governista, evidentemente o de maior bancada, disputavam a presidência. O feitor da fazenda mandou que todos enfiassem as prefereências no saco e impôs o nome que queria: Roberto Cláudio, um deputado de poucos votos em segundo mandato, mas já experiente em servir.
domingo, 23 de janeiro de 2011
OS DONOS DA BOLA
Muita gente renega a fé, mas acaba soltando chistes religiosos, como a exclamação “Minha Nossa Senhora”! (Afinal, é minha ou é nossa?), ou “quanto mais rezo mais assombração vejo”. A questão é que algumas coisas que presenciamos ou sabemos, às vezes, vale a expressão. Por exemplo: o prefeito de Sobral gasta R$ 5 milhões em Vila Olímpica “Ciro Gomes” (matéria de Andreza Matais, na Folha). O autor da obra, Leônidas Cristino (PSB), recebeu agora a recompensa de assumir uma pasta em Brasília, indicado pelo clã Ferreira Gomes, a quem sempre serviu. O vice, que assume o lugar de Cristino, o petista Veveu Arruda, vai concluir o a vila, que já consumiu 77% dos recursos previstos. Ele se apressou a classificar a obra como “ousada” ou “uma alternativa caso o Rio de Janeiro não comporte os Jogos Olímpicos de 2016″.
Segundo a matéria da Folha, o piso para a pista de atletismo já foi comprado por R$ 1,1 milhão. Chegou de navio do Canadá no ano passado, a dois meses da eleição estadual. Está guardado numa sala, sem previsão para ser assentado. Comprado com dispensa de licitação, é o mesmo usado nas pistas dos Jogos Pan Americanos de 2007. Agora, o que mais se destaca na Vila Olímpica é justamente o nome “Ministro Ciro Gomes”, pintado no muro que cerca o terreno de 60 mil m2. Até quando vamos ter que ver assombrações como essa? É isso: um Brasil bom demais e políticos que só nos envergonham!
http://search.incredimail.com/?q=Vila+ol%C3%ADmpica+Ciro+Gomes&lang=portuguesebr&source=059024016
GRANDE SÓ NO TAMANHO
Sei que ainda é cedo e não quero ser injusto, mas me parece que a presidente Dilma e sua enorme e modesta equipe estão demonstrando somente a preocupação de não deixar o barco fazer água. Convenhamos, o tempo é curto, mas a presidenta não é carne nova no Planalto. Vaga pelos corredores planaltinos há quase oito anos e sabe que este país tem muitas carências, principalmente de infraestrutura, mas tudo que contempla ou que deixa vislumbrar uma noção de planejamento é o tal de PAC (1 e 2), que funciona muito abaixo de meio pau.
Sinceramente, mas não estou otimista (e nunca esperei muito desse povo!) com o ritmo de varejo de sustentação empregado pela presidenta e sua volumosa equipe. Os empresários, inclusive aqueles que são contumazes fregueses das tetas governamentais, reclamam grandes reformas. É inegável que algumas reformas são imprescindíveis: a política, a fiscal, por exemplo. Dizem, em Brasília, que a senhora presidenta fez opção por fatiar tudo, preferindo propostas pontuais a grandes projetos. Seria assim mais fácil trabalhar com o Congresso. A lei ordinária exige maioria simples e necessariamente não mudam a Constituição, dispensando a maioria de três quintos na votação. É esperteza sobrando!
Os alertas bajuladores que sobejam pelo Planalto e na imprensa já espalham que está certa a astuta presidenta, pois grandes projetos envolvem custos políticos bem maiores do que os benefícios gerados. Por isso, ela prefere fragmentar de acordo com a identificação de carências pontuais, em vez de tentar aprovar tudo de uma só vez, como aconteceu com o presidente Lula com as reformas da Previdência, até hoje não implementada, e a tributária, que foi abandonada. Não dá para negar a lógica, mas é preciso uma inteligência que não vejo para fatiar reformas como a política sem comprometer o todo. Nem tudo pode ser curado com doses homeopáticas.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
QUANTO DE OPOSIÇÃO VAI RESTAR?
“Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice”. Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. A frase é de Émile Zola. E vou falar como me dói saber que o poder legislativo do Ceará capitulou ainda sob os efeitos da ressaca do porre brasileiro que durou 2.922 dias. Para colocar mais vaselina, o governador do Ceará, Cid F. Gomes, pediu de volta o projeto de lei que enviara a Assembleia Legislativa isentando o governo da necessidade de licença ambiental na construção de obras.
A bobeira foi enviar o projeto ainda para a Assembleia velha. A nova toma posse no dia primeiro de fevereiro próximo, data em que elege a mesa diretora da Casa, e já foi domesticada. A ordem democrática foi dada claramente: “não quero disputa e pronto (referindo-se a Zezinho Albuquerque e a Wellington Landim, que se engalfinhavam pela presidência da AL-CE). O presidente vai ser um nome neutro (querendo dizer amestrado): Roberto Cláudio”.
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