Será que ainda podemos descer mais na ética política? O legado de Lula fala alto na base aliada e causa racha até entre os pares, felizmente. Não há defesa para a deslavada velhacaria que o relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP) quis empurrar para aprovação no plenário da Câmara dos Deputados. Era a polêmica votação do texto do novo Código Florestal. Foi anunciado um acordo sobre o texto final do relator, que seria submetido à votação do plenário, mas o que apareceu continha mudanças em palavras chaves do texto. Por exemplo, onde havia recompor, apareceu regularizar. É bastante diferente, não.
O pior, que mostra meridianamente a falta de caráter, foi a resposta de Rebelo a um ataque da ex-senadora e presidenciável Marina Silva sobre a alteração no texto acordado. Ao invés de explicar. Aldo Rebelo, do partido de Inácio Arruda e base aliada de Dilma/Lula, fez duras acusações contra o marido de Marina, acusando-o de cometer crimes ambientais graves, mas admitindo ter transigido quanto ao caso. Se for verdade, além de canalha, Rebelo é um criminoso.
O sem emprego Ciro Gomes não perde a mania da bazófia. Em rodas da trupe tem dito que prefere largar a política, como se fosse fazer grande falta, a continuar sem espaço no seu partido. Refere-se, o inflado guru, à falta de espaço no PSB, que lhe foi tirado pelo outro enfunado guru, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente da sigla socialista (?). Não será novidade se o líder maior da família (sobralense) Gomes aparecer em outro partido. Já há cogitações de que ele estaria se transferindo para o PDT, onde está Patrícia Gomes, ou melhor, Saboya.
Mudar de partido não é novidade para Ciro Gomes. Começou no PDS (sucedâneo da Arena), passou para o PMDB para ficar ao lado de Tasso Jereissati, a quem acompanhou em seu ingresso no PSDB. Foi para o PPS para ser candidato a presidente da República. Depois, aportou no PSB com sua companhia, onde levou um canto de carroceria (transferiu o título de eleitor para São Paulo) do partido no seu intento de concorrer uma terceira vez ao cargo maior do país. Está sem cargo, sem emprego e sem espaço no PSB, mas com toda companhia em cargos públicos nos três níveis da República.
A briga Cid x Alfredo Nascimento vale. É para sacudir o PMDB, que o irmão mais velho, Ciro, qualificou como quadrilha (e apontou o chefe, que é hoje o vice-presidente), e o mais novo (Cid) de "antro". No seu momento Ciro Gomes, o governador cearense, Cid F. Gomes, arranjou uma boa briga com o ministro dos transportes. E a presidente Dilma, o que fará? Para ela, PR é importante como integrante da base de apoio do Congresso, mas os governadores também são essenciais para segurar os subservientes de seus estados. Vai pedir ao PR para trocar de carta? E para não esquecer, Cid F. Gomes bancou o machão valente e agora o caso vira processo, mas, ainda que o público interno goste, o que rende de concreto essa briga?
A briga Cid x Alfredo Nascimento, para alguns, é para encobrir que as estradas estaduais também estão esburacadas. Algumas estavam em reforma, recuperação ou construção e foram abandonadas. Um prejuízo enorme para os cofres públicos. O prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, que é do PR, não mostrou preocupação em defender o ministro do seu partido. Pariticipando da convenção do PSDB, que elegeu Marcos Cals presidente estadual, o prefeito jogou mais lenha na fogueira ao dizer, em seus discurso, que a situação das CEs também é péssima: "quem está roubando é esse pessoal do Ceará. Está roubando ou não está fiscalizando. Das duas, uma".
E aí, quando qualificou o ministério como um "antro", o governador admitiu ou não a existência de outros? Roberto Pessoa acha que existem outros. "A briga é política-partidária. Ele queria indicar um pessoa pro DNIT e juntar com o DER (cuida das rodovias estaduais) para fazer as falcatruas com licitações. A Copa do Mundo está aí. A roubalheira está preparada. Está todos combinados". Vai ser uma chuva de processos.
MAIS CURTAS
Você já viu um camaleão de couro mais mimético do que o senador Eunício Oliveira? Só entra nas boas e depois se esconde na paisagem. Só Mauro Filho, deputado estadual bem eleito e secretário da Fazenda do Governo Cid F. Gomes, que via seu pai ser espinafrado no palanque (eleição de Ciro a governador-CE) por Tasso e Ciro e só baixava a cabeça.
Presidente da AL-CE, Roberto Cláudio, está escorregando na baba. Cumpre tudo que o governo manda para tentar, quem sabe, uma candidatura em 2012 para a Prefeitura de Fortaleza. Ocorre que o clã Gomes (aprendeu com Jereissati) não joga só com um carta. Para 2012, ela já espalhou diversas, ainda que fracas: Camilo, Gony, Ferrúcio... Até Edson Silva e José Guimarães sonham.
Como não consegue cumprir seu papel, a Assembleia do Ceará se esmera em oferecer serviços diversos. Tá virando uma secretaria de Estado.
Acho que os petistas têm direito de litigar uma candidatura a prefeitura de Fortaleza. Agora, o deputado Guimarães (e seu cuecão) é demais!
Caso Ecad é grave, mas o órgão sempre foi uma bandalheira. Não sei o que vai dar revirando o que jogaram no Paulo Diógenes. Vai feder muito!
O presidente estadual do DEM agenda encontro com Gilberto Kassab, que reorganiza PSD. Cheiro de trairagem se espraia pelo ar.
Maia Júnior, que foi arranjador de Lúcio Alcântara e virou tucano de carteirinha, comprando helicóptero. Que diria Chico Prego?
Escatológico. Humorista Paulo Diógenes acaba show em São Luís-MA, Theatro Arthur Azevedo, porque jogaram merda rala na plateia. Em terra de Tasso de coca com ele. Em terra de Sarney de m... com ele.
Cientistas políticos de manual decretam que “o fundamento da atividade política é representar e não prestar serviço”. Ser político, portanto, não é profissão e não é classe trabalhadora e tampouco sua remuneração se encaixa nos moldes capitalistas de geração de renda. Claro demais, não é deputado federal Guimarães?
Sendo assim, como o político, integrantes do MST e beneficiários do Bolsa Família podem até comemorar o dia do TRABALHO, mas não são TRABALHADORES. José Genuíno ou o traíra "Geraldo", por exemplo, mesmo com mandato não era da classe trabalhadora. E agora, sem mandato, o que ele é? Por falar nisso, qual a PROFISSÃO de Genuíno? E do irmão dele, Guimarães? Do Inácio Arruda? Do Mauro Benevides? Cid F. Gomes é engenheiro, mas nunca fez sequer uma passagem molhada, do jeito que Ciro F. Gomes é advogado mas nunca fez uma petição. Qual a profissão deles?
De fato, era assim no princípio. Um reconhecido profissional se candidatava e era escolhido para ficar um tempo prestando serviço público, mas a exceção tornou-se a regra e é assim que o assunto deve ser tratado na reforma política que se tenta quixotescamente implementar. Alguém consegue pensar outro serviço para o velho deputado Mauro Benevides, ou mesmo para o seu esperto filho? Inácio Arruda, Ciro Gomes, Ubiratan Aguiar, Arthur Silva Filho são mais exemplos de pessoas que fizeram da política, do serviço publico, uma profissão. E muitos são muito bem sucedidos. Aqui a distorção maior ou a confirmação de que ter profissão (e ser trabalhador) não vale nada (hem Lula?) ainda que isso contrarie uma turma como Marx e Smith, Marshall, Wood e Hill, entre outros.