quarta-feira, 4 de abril de 2012

DINHEIRO E VOTO SÓ PRESTA DE MUITO



O brasileiro já não acredita em quase nada quando se trata de roubalheira do dinheiro público. O caso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi o pingo que fez o açude da descrença transbordar. O paladino da ética era na verdade um farsante de grande envergadura, que acendia uma vela a Deus e outra a satanás. Foi desmascarado e derrubou por terra qualquer resto de esperança de que a corrupção nesta país um dia seja banida por mais que se gaste papel divulgando as maracutaias. 

É mamata para todo lado e quando alguém ousa levantar a voz tentam abafa-la como se fosse crime, e não obrigação, ser honesto. Recorde o caso da ministra corregedora do CNJ, Eliana Calmon, quase crucificada por tentar apurar negociatas na Justiça. E não há um só dia de folga. As notícias sobre corrupção tomam conta dos noticiários, sejam eletrônicos, sejam impressos.

A Revista Época publica matéria que mostra mais um "rio" da facilidades na esfera do poder estadual no Ceará: refiro-me ao caso dos empréstimos consignados. Não é nova a denuncia. Já há algum tempo rola e já chegou ao Ministério Público. E o que também não é novidade é que não existe providência para apurar a maracutaias, que envolvem um genro do secretário Arialdo Pinho (foto). Nas primeiras denúncias, só desmentidos. Agora, com a nacionalização do escancarado tráfico de influência é que o governador Cid Gomes (PSB-CE) declara que quer saber do caso para ver se há irregularidades. Enquanto se espera e se esquece, a torneira vai continuar irrigando as fartas contas dos beneficiários do esquema. Afinal, é como dizia uma filósofo amigo: dinheiro e voto só presta de muito.

Veja no link abaixo a matéria completa sobre o assunto:


http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/03/emprestimo-viciado.html

sábado, 24 de março de 2012

O "REMAKE" DA SUCESSÃO

E prossegue a novela (remake) de baixa audiência entre PSB e PT nos prolegômenos da sucessão de Fortaleza. Ciro (PSB-CE), o mais velho dos Gomes, ataca e ameaça o fim da aliança. Inventa até que Cid, o Gomes governador do Ceará, está isolado ao defender a continuidade da parceria eleitoral. Luizianne (PT-CE) rebate e adverte que romper aliança é colocar o PT na oposição ao governo do Ceará. Em seguida, não perde a chance de cutucar: se o PT for sozinho irá de senador Pimentel, que larga seis anos de mandado para o enjoado Sérgio Novais.

Cid, o Gomes governador, assopra que quer manter a aliança, mas dá uma estocada ao afirmar que plano B é chantagem. Luizianne responde que a mensagem vale para setores do PSB. Cid, o Gomes governador e presidente do PSB estadual, em mais um capítulo da esfumaçada novela, faz jantar e apura R$ 1,3 mi. A prefeita não vai mas alguns prefeituráveis, de um lado e do outro, vão. Enredo está sendo elaborado até para o TRE. Enquanto a novela se desenrola, espertos e atentos e, vez po outra, atiçando, estão representantes das outras bandas da aliança: senadores Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Inácio Arruda (PC do B-CE).

Ora, uma simples análise, mostra que quase tudo é mero jogo de cena. Só o senador Inácio Arruda joga no aperto. Está no desespero de continuar em Brasília, já que seu mandato se extingue em 2014 e não o renovará sem uma grande esquema de apoio. Não sobradas razões para segurar sua cndidatura, se não conseguir uma oferta generosa. Precisa de espaço e aparece bem nas primeiras pesquisas. Eunício tem duas eleições cobertas por seu mandato e só pensa em uma futura candidatura a governador, como Luizianne, que joga no ponto futuro. Os Gomes se isolaram no poder, afastando a sustentação econômica. Têm o grupo político, mas não o poder financeiro. Por isso, a fumaça do jantar arrecadatório. Dinheiro pessoal há, mas não dá para bancar campanhas, principalmente depois que entregar a chave do cofre. A aliança, mesmo perdendo o quarto menor (PC do B), deve ser mantida para que a vida siga em frente, pois uma família pública vive de cargos.

Enfim, toda mixórdia entre PT-PSB, na sucessão de Fortaleza, é apenas jogo de cena para aumentar a fatia do bolo e preparar um falacioso discurso de transparência. Velho plano recorrente.

A CHAMA DA ESPERANÇA


Vale para um dia de pouco sol, mas infelizmente, também de pouca chuva.


REVOAR

Manhã turva, sol obscuro.
Luz? Apenas um raio distante,
iluminava acanhado.
A esperança.

Procurar – a opção.
Encontrar – um sonho eterno.
Vã tentativa.
Haverá sempre um revoar?

O sol tece a manhã,
o dia... a vida;
o sonho torna-a suportável.

Mesmo fugaz brilho atrai.
Mantém viva.
A chama da esperança.

e.s.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A SÍNDROME DO "FUCK YOU"



Há situações em que um governante é maior do que o seu partido e maior até do que o seu governo. E há situações em que o governante perde nas duas alternativas, ou em apenas uma. É o desgaste político que assim o determina. Lula superava o partido e o governo. Dilma também está conseguido suplantar o PT e o governo, os dois entressachados pela corrupção, que chega a impressionante soma de R$ 70 bi ao ano. Lembra da administração Lúcio Alcântara, com o governo bem avaliado, mas derrotado no primeiro turno por Cid Gomes, então no incipiente PSB e aliado do PT? Era um caso contrário. Preste atenção agora nos casos de Cid Gomes e de Luizianne Lins. Vivem igualmente, agora, situações contrárias, inusitadas e diferentes. 

Cid, da dinastia Gomes, conseguiu, nos primeiros 4 anos de gestão inflar o partido e carregar o governo ao mesmo patamar de sua imagem. Foi reeleito sem dificuldades. Luizianne fez o mesmo, com maior dificuldade, na prefeitura de Fortaleza. Mas o instituto da reeleição, entre tantos males, adi mais este. O segundo mandato é sempre pior que o primeiro e perceba que o primeiro é sempre condicionado ao segundo. A síndrome do fim do poder não renovável gera o (permita-me) "fuck you", que entranha-se na personalidade  do governante, agregada à arrogância e a prepotência (às vezes já presente, embora dissimulada). Divise os últimos fatos envolvendo os dois personagens principais da política cearense.

Primeiro: Dilma e Cid Gomes se desentenderam no Cariri (está na edição da Veja no dia 14/03/2012), onde estavam presentes também os governadores Eduardo Campos (PSB-PE) e Wilson Martins (PSB-PI). O governador cearense se irritou com a presidente sobre a questão dos investimentos federais e interrompeu uma fala da presidente e ela sempre se irrita com isso. Dilma levantou a voz (gritou, admoestando) e Cid respondeu que não era assim que se devia tratar um governador de Estado, saiu da reunião amuado e foi preciso o governador de Pernambuco, Eduardo campos dar uma de bombeiro. Era a gota que faltava no transbordo do copo que começou a encher quando o irmão mais velho (Ciro) não foi escolhido para ocupar um ministério e chegou às bordas quando o senador Pimentel (PT-CE), eleito na aba de Cid e Lula, espalhou que estava voltando dinheiro federal do governo do Ceará por falta de projeto. A intriga, apesar dos pedidos de desculpas, rende até agora. 

Segundo: A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT-CE) adverte ao governador do Ceará, Cid Gomes, que o PT fará incisiva oposição ao governo dele em caso de rompimento da aliança. "É importante saber que não é só fim de aliança, mas início de um projeto político diferenciado na relação do PT e mesmo da Prefeitura com o Governo do Estado". Sobre os diálogos com o PSB em Fortaleza, Luizianne disse ter uma relação "muito boa" e "respeitosa" com o governador Cid Gomes, mas lamentou que muitas vezes o "entorno não ajuda muito" nos debates políticos, em referência aos correligionários de Cid que trabalham por uma candidatura própria na Capital. Aproveitou para tirar uma casquinha sobre a articulação política que é feita pelo ex-deputado Ciro Gomes. "Cid tem demonstrado autonomia sobre suas ações e, embora não seja "tão falante 'como o irmão Ciro' espero que o governador consiga manter essa autonomia do ponto de vista político". No meio de tudo está o oportunista PMDB e seu oportunista senador Eunício Oliveira, atento para pegar uma fatia maior do bolo.

A faca nos peitos irritou tanto que o governador Cid Gomes e seu irmão mais velho e principal articulador político do PSB, Ciro Gomes, já realizaram almoço para deslanchar o processo de escolha de candidatos do partido (PSB) para as disputas eleitorais nos municípios cearenses este ano. Um sinal claro de que o PSB não está ligando para a aliança. 108 (dos 184 municípios) candidaturas foram apresentadas. Fortaleza, claro, por enquanto, está fora. Muitos interesses, particulares, sem dúvida, estão em jogo, e não é fácil abrir mão de generosas fatias de poder, para que decisões dessa natureza não sejam exaustivamente repensadas. Daí vale relembrar a famosa classificação bipartida das formas sãs e degeneradas de governo de Aristóteles: "...quando um só, ou vários, ou a multidão, usam a autoridade de acordo com a utilidade comum, esses governos têm necessariamente de ser bons; mas aqueles que não usam o poder senão no interesse de um só, ou de vários, ou da multidão, são desvios em relação a esses bons governos".