sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Um 2008 Com Tudo Que Temos Direito

Este Blog deseja a todos que nos acessaram um FELIZ 2008. Agora, para o pessoal acima de 49 anos poder matar a saudade dos anos 80, veja o clipp que pegamos do ex-blog de César Maia, pois representa o início da caminhada que nos fez chegar a este momento. Naquela época, saíamos da ditadura militar e começávamos a transição, que se concretizaria em 1985. Se os anos 60 foram os anos do sonho, do amor livre, das ideologias. Os anos 80 foram marcados pelo virada. Chegava ao fim do caminho o desenvolvimentismo bancado pelo Estado e era necessário descobrir novos rumos, embora poucas luzes aparecessem no túnel do tempo futuro. O fim da trajetória ditatorial e o início da redemocratização marcaram a chamada década perdida, enquanto o mundo vivia o balanço das discotecas. Vieram os difíceis anos 90 das eleições diretas (começaram no final dos anos 80, com a eleição de Collor de Mello), o neoliberalismo com a venda de diversas pérolas do patrimônio brasileiro e nova crise econômica no final da década, que abriu espaço para as lideranças emergentes dos movimentos de base na passagem para o novo século. Os primeiros anos do século XXI são marcados pela consolidação da globalização, pelos saltos tecnológicos, pela luta de convivência multicultural. A horizontalidade ditada pela tecnologia das comunicações, principalmente, traz as profundas mudanças que hoje vivenciamos e que, de certo modo, nos empurra ao encontro de um passado com novo guarda roupa. Os caminhos são imprevisíveis, mas o mundo está mais rico e pode dividir melhor essa riqueza, pois sabe que de outra forma não haverá saída.

Dá para esperar um mundo melhor. Belíssimo 2008.

Clique abaixo :

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mais Uma Lambança de Ciro Gomes


Quem acompanha o noticiário político viu (ou leu) que algumas pessoas do Governo Federal ou da dita subserviente base aliada não contiveram a frustração pela derrota da CPMF no Senado e atacaram os senadores que tiveram a coragem de votar contra. Dilma Roussef, a pretensa clone da dama de ferro, Margareth Thatcher, foi a primeira a se pronunciar. Incorporando o espírito de Luís XIV (1638-1715), rei da França, quando pronunciou a célebre frase “L’État c’est moi!” (o Estado sou eu!), ela tachou os senadores da oposição de irresponsáveis. Dias depois, para ganhar espaço junto ao Planalto (e pensando em mais uma candidatura a Presidente, claro), Ciro Gomes, no seu melhor estilo boquirroto, disse que “é indisfarçável a motivação subalterna, politiqueira e eleitoreira da resposta. É uma motivação de quem tentou escalar o golpe por um caminho, não conseguiu e, agora, quer impedir o presidente Lula de governar”. A entrevista de Ciro saiu no portal do ex-ministro José Dirceu, o pai do mensalão e também na coluna política do O Povo, na oportunidade escrita por Eliomar de Lima, que acrescenta dois detalhes, que transcrevo: “No passado, José Dirceu dizia que Ciro Gomes, então candidato a presidente da República pelo PPS, tinha uma “tendência incontrolável para mentir”; Outro - Ciro inclui entre os golpistas seu amigo fiel, o ex-presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, que, com o DEM, trabalhou contra essa matéria”.

NÃO VALE PEDIR DESCULPAS

Ciro Gomes todos conhecemos de sobra. Sabemos de seu destempero verbal e de sua tendência à gabolice (também escorrega na verdade). Lembram da campanha passada, quando seu irmão Cid Gomes foi eleito governador, quando ele foi obrigado a aparecer na TV, horário gratuito do TRE, para pedir desculpas? Pois é, em um comício em horizonte, ele chamou o adversário do irmão Cid (era Lúcio Alcântara) de filho da p... Quando a imagem apareceu na TV no horário eleitoral de outro candidato (José Maria Melo) a reação no eleitorado foi tão negativa que Ciro foi obrigado a ocupar seu espaço na TV para candidamente pedir desculpas. Como bom ator, conseguiu o perdão, a tirar pelo volume de votos que obteve para deputado federal. Na eleição de 2002, disputando com Serra, Lula e Garotinho (os mais votados) Ciro foi pego na mentira ao dizer que sempre tinha estudado em escola pública. Serra mostrou que era mentira. Um mês antes, em entrevista a João Gordo, da MTV, afirmou que combateu a ditadura militar. Logo foi mostrado que ele começou a carreira política na famigerada Arena e depois foi para o PDS. Outra dele aconteceu já este ano (05/10/2007) quando concedia uma entrevista coletiva no auditório do Sebrae. Uma pergunta sobre o conteúdo publicado na revista ÉPOCA, fez o deputado federal Ciro Gomes dar um salto e um murro na mesa. Ciro Gomes estava programado para falar sobre o “O papel da microempresa na conjuntura econômica brasileira” no dia nacional das micro e pequenas empresas. Essa seria a primeira aparição pública no Ceará do ex-ministro Ciro Gomes, depois da reveladora matéria da revista ÉPOCA que envolveu Ciro Gomes com atos considerados ilegais praticados por um diretor do BNB (Victor Samuel Cavalcante da Ponte) indicado por Ciro. Com uma carta no bolso, assinada por Ciro, esse diretor saiu pedindo a pessoas, que tinham negociações com o banco, doações para a campanha de dele (Ciro Gomes) e do irmão Cid Gomes. Victor foi abandonado e responde sozinho ao processo, já demitido do Banco. Precisa mais?

SCARTAZ OBRANDO NO PLANALTO

Não entendo a necessidade de tanta subserviência. Só pode ser porque o deputado não leu as duas notas que estão na página e saíram na coluna do Cláudio Humberto. Veja o que foi publicado no dia 09/04/2007:

Maggi: Ciro é ‘carne seca’

A reunião do presidente Lula com governadores, mês passado em Brasília, conteve ingrediente ainda desconhecido: o apelido “carne seca” conferido ao ex-ministro Ciro Gomes pelo governador Blairo Maggi (MT). “Não precisa se preocupar com ele”, garantiu Maggi ao governador tucano de São Paulo, José Serra. “Lula e o PT vão colocá-lo ao sol para secar”. Serra respondeu: “nem como carne seca serve de prato principal em acordo político”.

Viva o verde

José Serra ainda disse a Blairo Maggi: “Sou vegetariano e não me alimento de cadáver. Seu ex-companheiro Roberto Freire é quem entende disso”.

DESCUBRA DE QUEM É O AUTORETRATO

Eu sou aquele político à moda antiga. Do tipo que tem muitos detratores e que jamais manda flores. Meu verbo é espoleta mofada, minha trajetória uma palhaçada, meus feitos uma enorme maçada. Adoro falar sobre o que desconheço, opinar sobre o que não sei, tergiversar e regurgitar estultices. Meu currículo é opaco, ganhei notoriedade pelos cargos que ocupo e belas boca que descolo. Mérito quase nenhum a não ser estar perto de quem está no poder. Sou uma rêmora ao redor do tubarão, um falastrão complexado, que sempre muda de lado conforme a conveniência. Minha estratégia de mando é a eterna subserviência e jogo na vala as esperanças de renovação. Mesmo sendo novo e usando o nome do povo sou o mesmo ovo choco da política mal galada. Antigo como a palavra patuscada que encerra em si mesma minha autodefinição.

Se você sabe de quem se trata, parabéns você conhece os nossos políticos.

Agora, responda outra. Você sabe o que oligarquia? Sabendo ou não, veja o que a Revista Piauí publicou, clicando o endereço abaixo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Nem só o Rico Paga Segurança

A imprensa nacional e até a internacional e alguns blogs publicaram que os serviços de inteligência do Brasil suspeitam que está sendo preparada uma luta armada entre grupos que cobram proteção contra os narcotraficantes em Rio das Pedras-RJ. As organizações são integradas por ex-militares ou ex-policiais. O temor é que ocorra uma guerra entre os grupos pelo controle dos milionários recursos que cobram à população. Quando se lê uma notícia dessa a primeira reação é pensar que no Rio de Janeiro a situação já está sem controle (pelo Governo, em qualquer nível). Não é bem assim. A situação que é denunciada, e que fizemos questão de trazer para refletir com vocês, já está acontecendo também aqui em nosso quintal. Uma senhora humilde que abordei num terminal, antes de entrar no ônibus que a levaria para o Jenibaú, ao lado do conjunto Ceará, logo depois do Maranguapinho, me disse que quando sai de casa para trabalhar como doméstica numa casa na Aldeota, leva o dinheiro da passagem (ou vale transporte) e mais R$ 2,00. Este valor é o pedágio que ele paga todo dia à noitinha para atravessar da parada onde desce até sua casa. Cerca de 500 metros de ruelas escuras e com água servida correndo em valas improvisadas. Será que isso só ocorre no Jenibaú?

O RONDA DEIXA A FASE DE EXPERIÊNCIA

Como anunciou o governador Cid Gomes, que desfilou em carro aberto pela cidade acompanhado pelos 200 carros marca Hilux e pelas 500 motos, o programa Ronda do Quarteirão entra agora em abrangente fase de execução. Não serão mais os 4 bairros, mas toda Fortaleza e alguns municípios do Ceará (ainda não é possível todo o Estado). 900 novos policiais saídos do forno vão assumir o serviço. Claro que vale parabenizar o governador pela pertinácia em implantar e fazer funcionar o programa. Torcemos para os resultados sejam alentadores (e serão), embora acreditando que são necessárias mais algumas providências. A questão da segurança só pode chegar a uma solução sustentável através de um trabalho integrado de todo o governo em parceria com a sociedade. Mas não é o caso de aprofundarmos agora esta questão. O que está em tela é o barramento da escalada da violência, que o Ronda tenta fazer. O que é o Ronda? É um programa de policiamento motorizado ostensivo e preventivo. É suficiente para barrar o crime? Não. Vai inibir algumas ações em algumas áreas, o que já representa um ganho considerável. É muito mais do que os governadores anteriores fizeram.

NÃO PRECISA CAMUFLAR

Vamos pegar o caso do “arrastão” (negado pelas autoridades) ocorrido no dia 22, sábado, no centro de Fortaleza, véspera do desfile pela cidade em carro aberto, para reflexionar o complexo problema. O centro, como diz o próprio governador, tem uma malha xadrez, propensa, portanto, a demorados engarrafamentos, principalmente em virtude do período natalino, com atrações lúdicas e promoções do comércio. Foi, por tudo isso, escolhido pelos marginais. E por que? Simples, por pelo menos meia hora, o centro estaria sob a vigilância apenas dos poucos policiais que faziam o patrulhamento a pé. A Hilux ficaria presa no engarrafamento e só as motos poderiam chegar mais rápido. Mesmo assim, no tumulto gerado, como foi o caso, levaria tempo para que fosse possível localizar o foco do ato criminoso, tempo suficiente para que todos fugissem. É assim, os criminosos também pensam, tem equipamento e preparo para executar a ação. Também não é mera coincidência que os assaltos (inclusive a bancos) se intensificaram no interior do Estado e Região Metropolitana. O crime se muda. Por tudo isso, não precisava tanto esforço das autoridades para negar o “arrastão”. Houve, sim, e outras ações vão ocorrer. Sabemos do esforço do Governo e o louvamos por isso. Negar não honra este esforço.

POLICIA DE PROXIMIDADE
(ou o infame trocadilho da polícia da boa vizinhança)

Fazer policiamento ostensivo preventivo não tem mistério. É feito hoje da mesma forma que no início do século passado. Hoje, a tecnologia ajuda e dá mais agilidade, mas as cidades se tornaram megalópoles de complicada malha viária e habitacional e enormes contradições sociais, que permitem, como no Rio e já há alguns focos em Fortaleza, a presença de um “estado” pela ausência do outro, contrariando o que diz Max Weber: o Estado tem o “monopólio da violência legítima”. O serviço do policiamento a pé é a mais antiga forma de patrulha. Segundo o escritor Paolo Napoli (Naissance de la Police Moderne. Pouvoir, Normes, Societé, Paris, Éditions la Découverte, 2003) foi a partir da noção de itinerância a pé que se criou a idéia mesmo de policiamento, na expansão de um modelo de “polícia das cidades para o Estado” desde o século XVIII. Já o policiamento Motorizado (incluindo Hilux) é recente na história da polícia brasileira. Ganhou expressão nas maiores cidades do país, principalmente com a introdução rádio (ou intercomunicadores) para resposta a emergências, a partir da década de 1960. Significa dizer que fazer policiamento ostensivo preventivo é colocar polícia nas ruas, como está sendo feito. Mas não fica só nisso. O policiamento deve ser integrado, falando somente do aparato policial. Melhor dizendo, é preciso fazer funcionar o que os estudiosos da área chamam de os quatro tipos de policiamento: polícia de proximidade, polícia de investigação, uma polícia de interpelação e uma polícia de terreno. Combinar esses tipos de polícia não é impossível. Todos tomamos conhecimento do negado “arrastão” do centro. É a prova de que somente colocar duplas “cosme e damião” ou patrulhas Hilux e motos na cidade –vai reduzir- mas não vai resolver o angustiante problema de segurança ao cidadão. E depois daí virão a Justiça e as leis, as ações sociais, a educação, o emprego, a moradia...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Um Bom Ano se Foi...


2007. Um bom ano que se esvai. Em que pese o aumento constante da violência em todo o País, os acontecimentos foram sempre positivos. Mesmo quando as coisas ruins vinham de fora, o Brasil conseguiu resistir, apesar de nunca ter contado como um governo que soubesse aproveitar a boa onda. É, e o ano termina com a boa queda da CPMF. Todos devemos comemorar, até os prefeitos e governadores, pois suas receitas vão aumentar. Raciocinem assim: a CPMF centralizava a receita nas mãos de políticas do governo federal, que barganhava com estados e municípios sua aplicação através de convênios. Agora, sem CPMF, o dinheiro vai para o bolso das pessoas e empresas, que gastam e recolhem impostos federais compartilhados com estados e municípios (imposto de renda e IPI) e impostos e taxas próprios ou compartilhados de estados e municípios, como o ICMS, o ISS etc... E ninguém precisa pedir favor ao governo federal. É dinheiro vivo e direto para estados e municípios.

...UM BOM QUE VIRÁ.

2008. Claro que paira no ar a escura nuvem da crise. Não é nossa, mas importada dos Estados Unidos. Os norte-americanos estão fazendo tudo para sufocá-la, mas só aumentam o rombo das contas públicas, o que tem desequilibrado o mercado internacional. Os bancos centrais dos EUA, da UE, do Japão têm jogado dinheiro para entupir o buraco, mas até agora tem sido debalde o esforço. Até agora são poucos os reflexos no Brasil, mas nada garante que permaneça assim. De qualquer modo, o ano novo que começa a nascer ao lusco-fusco do velho será bom e poderemos conquistar avanços, inclusive na distribuição de renda, principalmente porque é um ano eleitoral.

É preciso ser otimista e acreditar. Que o novo ano traga para você a mesma felicidade e fraternidade que você está espargindo por anda, tomado pelo chato, mas comercial, clima natalino.