terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O Desafio do Crime Organizado

O crime organizado no Brasil continua a mostrar sua força no Rio de Janeiro e em outras paragens. Medidas tópicas são tomadas, mas o efeito continua sendo duvidoso. Veja você mesmo ( se já não viu) e tire suas conclusões. O ex-blog do César Maia colocou no Youtube uma reportagem da TV com o desafio dos traficantes dos morros cariocas. São cenas e palavras que chocam.

Clique abaixo no link abaixo para ver (ou rever):

O Fim da Reeleição Imediata

Sou contra o direito de reeleição imediata em países, como o Brasil, de partidos fracos, sem identidade, com sistema eleitoral de voto proporcional aberto, produzindo democracias, consequentemente instáveis, como é o caso do Brasil e da maioria dos países da América Latina. Não vejo qualquer ganho para democracia no direito ao segundo mandato. Pelo contrário, só consigo vislumbrar o risco, o perigo ao sistema democrático, principalmente quando há um governo dito de esquerda de plantão no poder, pois sabemos todos que no armário de todo líder personalista de esquerda está escondida a beca de ditador. Basta ver exemplos como o da Venezuela e da Bolívia. A atitude principal Hugo Chávez e Ivo Morales foi tentar emendas constitucionais que garantissem a eles o direito ilimitado à reeleição. Nenhum deles, incluindo Lula, que só não tenta emenda constitucional semelhante por falta de espaço, buscou realmente o rompimento de paradigmas essencialmente nas áreas de educação e social ou mesmo lograram efetivo combate à pobreza. Respaldaram suas administrações em cima de programas sociais assistencialistas, que só perpetuam a miséria e a dependência. Seria um ganho para o país, um mandato de cinco anos, sem reeleição imediata.

O SERVIÇO DE CLIENTELA

Para entender as brechas do nosso sistema, basta observar o calendário eleitoral brasileiro, com eleições gerais a cada dois anos. Cabe a básica pergunta: o que sobra depois de cada processo? O que sobra não é bom para o país. A cada eleição se vê construir, como em nenhum outro país, uma rede de dependências, entre as eleições gerais municipais e as gerais, estaduais/federais. O governo que se instala não governa de acordo com os planos desenvolvidos, sendo levado ao sabor do próximo embate. É no desencadear dessa relação que se verifica que é mais forte a determinação desde as eleições municipais em direção às estaduais/federais e isso ocorre precisamente em função da inorganicidade (talvez seja o termo certo) partidária brasileira e do sistema eleitoral de voto proporcional aberto. Essa combinação, como gosta de dizer o cientista político, transforma cada parlamentar -em qualquer nível- em uma espécie de partido unitário. Desta forma, se no exercício do mandato os parlamentares podem ser temáticos, corporativos, especialistas etc. É assim que cada vez menos parlamentares, seja no Estado, no Município ou na esfera federal, são eleitos com base levando em conta a opinião pública. A busca do voto é negócio que estabelece tendo em vista relações regionais e políticas, de prestação de serviço, ou de clientela -dinheiro (direta ou através de lideranças). Este processo leva a que venha se tornando comum aos governantes e parlamentares a só mostrar trabalho no ano eleitoral. É pouco, muito pouco. Daí o desespero da Prefeita de Fortaleza no esbanjamento do erário com os meios de comunicação.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Necessidade de Aprovação

Pareceu estranha a nota na coluna do Edilmar Norões (DN) com um rasgado elogio ao homem do caranguejo, Arialdo Pinho, descrito como um homem de “qualidades de administrador moderno” (no futebol, sempre que um técnico é elogiado ele cai em seguida). O assunto é relativo à decisão da verba de publicidade: R$ 40 milhões para 4 agências e R$ 6 milhões para a área de eventos. Aí não há nada de novo, desde a era Jereissati que tem sido assim. Está faltando a verba de pesquisa, a não ser que esteja inclusa no dinheiro das agências. Fica tranqüilo Arialdo, a gente sabe como funciona o esquema de agências e nada vai ser diferente. Vão ser selecionadas as agências amigas da casa, que são mais lavanderias. Uma ou outra, que vai pegar o osso e gastará o mínimo, será escolhida apenas para legitimar o processo. Não tenta passar o que não tens. Navega manso e humilde, pois ninguém está querendo roubar cargo que ocupas e tampouco falar do passado (remoto ou recente).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Duarréia Cerebral Com o Erário

Não resisti. Achei tão interessante esta matéria/opinião publicada pela Folha de S. Paulo que decidi reproduzir aqui. Veja que pérola do Governo Lula:

UM DESERTO de homens e idéias: por muito tempo, o Brasil foi visto desse modo, aliás, injustamente. Seja como for, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, parece mais do que nunca disposto a ocupar esse deserto por conta própria.
Desembarcou na Amazônia nesta terça-feira, fumegando de propostas para a região. Impostos, educandários e aquedutos brotavam da sua mente fértil.
Por que não um aqueduto? Por que não vários? Transamazônicas líquidas, velozes, atravessavam as visões do ministro. Desembocariam no árido Nordeste. A teoria ungeriana é clara, límpida, desconcertante. "Numa região, sobra água, inutilmente. Na outra região, falta água, calamitosamente”.
Diante do torrencial igualitarismo do projeto, até a dispendiosa e polêmica transposição do rio São Francisco parece modesta. O que faria seu adversário mais célebre, frei Luiz Flávio Cappio, se confrontado com o portentoso mangabeiroduto? Houve quem considerasse sua greve de fome um ato comparável aos de um profeta do Antigo Testamento. Talvez ao religioso só restasse prosternar-se, contrito, diante das inspirações superiores de Mangabeira, ao mesmo tempo Moisés e faraó, Netuno e Curupira.
A ministra do Meio Ambiente guarda silêncio. A prefeita de Santarém lembra que antes dos aquedutos seria interessante prover de água encanada os domicílios da região.
Nosso Doutor Fantástico viajou em companhia de 35 assessores. O desperdício da missão só é menor do que o desperdício dos neurônios, certamente preciosos, do professor da Universidade Harvard.

Era assim –e vai continuar– que era gasto o dinheiro da CPMF.

TEMPORÃO OU RETARDÃO?

Foi matéria de capa do Estado de SP: Ministro culpa vítimas por terem se vacinado contra doenças. Na matéria, o ministro José Gomes Temporão disse que mais pessoas vão morrer com a febre amarela, mas que o governo não tem culpa em relação ao aumento de casos da doença neste ano. "Todas as mortes foram de pessoas que não se vacinaram e foram para áreas de risco e não se protegeram". Para Temporão (ou Retardadão), há informação suficiente sobre os riscos nas áreas endêmicas. Este é o governo das trapalhadas e das trambicadas.

PARTIDOS FRACOS, DEMOCRACIA TAMBÉM

A Revista Opinião (Campinas), volume 13, número 2, de novembro de 2007, publica trabalho de Luciana Fernandes Veiga da Universidade do Paraná, apoiado pela Doxa / Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, páginas 340 a 365, sobre a identidade partidária do eleitor brasileiro. Conforme a publicação –o que comprova o modelo populista/personalista adotado por Lula–, o eleitor passou a se identificar menos com os partidos entre 2002 e 2006, período de Lula. O PT, que tem a maior identificação partidária do eleitor, foi quem mais perdeu: caiu de 23% para 18%. A identidade partidária (os que se identificam com algum partido) caiu de 39% para 28%. Os que não se identificam com partido algum, subiram de 56% a 67%.